A transição do Império para a República no Brasil foi um processo tranqüilo e natural. Apesar de ter acontecido através de um golpe militar, não houve resistência. Nem política, nem armada. Historiadores dizem que o antigo regime caiu de maduro.

Desde a Guerra do Paraguai (1865-1870) o Exército estava se sentindo desprestigiado. A queixa era de que haviam arriscado suas vidas e ganho a guerra em nome de uma nação que não reconhecia seu valor. O Exército era desprezado pelas elites e alijado da política pelos governantes, que temiam dar-lhes mais poder.

Aos militares descontentes se juntaram vozes republicanas civis, que há muito já se insurgiam contra a monarquia, e o movimento foi ganhando cada vez adeptos. Em 1870, políticos, intelectuais e profissionais liberais lançaram no Rio de Janeiro o Manifesto Republicano. A partir daí a opinião pública começarou a se mobilizar em torno do assunto. A abolição da escravatura, em 1888, foi um duro golpe para a elite escravocrata e a nobreza.

Em 1889, o tenente-coronel Benjamim Constant, um dos maiores, se não o maior articulador do golpe, conclamou a classe militar em discurso no Clube Militar. Era a noite de 9 de novembro.

Nessa mesma noite toda nobreza estava reunida no Palácio da Ilha Fiscal, onde um baile luxuoso comemorava as bodas de prata da Princesa Isabel e o Conde D´Eu. Aquele seria o baile de despedida do Império que durara 67 anos.

Na dia 15 de novembro o marechal Deodoro da Fonseca chamado em casa. Estava de cama, mas sabia que cabia a ele, um monarquista, a tarefa de proclamar a república. Paramentou-se e montou seu cavalo até o Campo de Santana. O marechal era amigo pessoal de D. Pedro II. Talvez por isso tenha dirigido seu discurso ao então primeiro-ministro Ouro Preto.

Em instantes o gabinete estava deposto e se instaurava um regime que só veio a ser “referendado” no ano de 1993, em um plebiscito que se escolheu a forma de governo no país.

Nestes 115 anos de república o país viveu grandes momentos. De progressos e atrasos. De idas e vindas. De ditaduras e democracias. De erros e acertos. Mas sobreviveu. E entrou no terceiro milênio com a expectativa de finalmente levantar-se do berço esplêndido e ser uma nação mais justa, feliz e soberana.

 
topo

Via RS ®1995-2004 - Todos os direitos reservados
PROCERGS - Governo do Estado do RS


 
Não há enquetes no momento !